* * * * *
Á noite, com a cabeça deitada sobre a brancura virginal do travesseiro, a noviça suspirava e sorria, acalentada n'um sônho de creança!
Ora vejam!
Estava de pé, sobre o banco da cêrca, espreitando o ninho da magnolia. Os passarinhos implumes abriam soffregos o bico para receberem da mãe o alimento.
Gertrudes identificava-se tanto com o que via, que—em sonho—chegou a sentir o goso ineffavel da mãe que administra o sustento aos filhos. As cabeças pennujentas dos passaros do ninho—que graça!—já lhe pareciam duas cabecinhas loiras de creança deitadas no mesmo berço!
E o passaro que chilreava em cima, alcandorado no ramo superior, foi perdendo, pouco a pouco, a fórma que tinha e—como a gente vê n'um quadro dissolvente—foi transformando a cabeça pequenina de ave n'uma cabeça de homem, com cabellos annellados, os olhos pretos e vivos, o bigode farto, e um dôce sorriso de pae…
E entreviu, então, Gertrudes, atravez d'uma nuvem côr de rosa, em que o seu espirito se emballava, a imagem clara do primo Matheus, que a contemplava, a sorrir!…
FIM.
INDICE
A guerra
A volta das andorinhas
A sésta do avô
O Gallo preto
Está no céo!
O retrato dos paes
O sermão
Ás cerejas
O jantar do Natal
Vinhos e aguas-ardentes
As arrecadas da caseira
O anacreonte de Candemil
O abandono do moinho
O sonho da noviça