—Tu tens morrinha, rapaz—dizia-lhe a Josepha assustada e afflicta.—Tu, que te doe, menino?
O rapaz não se queixava; mas a Josepha não tinha socego.
Foi um dia de manhã, quando o Simão almoçava ao pé de Magdalena, que a Josepha reparou que elle engolia o pão com esforço. Chamou-o logo junto de si, e apalpou-lhe o pescoço. Sob a pressão dos dedos sentiu a dureza dos ganglios enfartados por detraz das orelhas.
—Tens humores frios, filho!—exclamou ella com uma voz dilacerante.—Doe-te?
As duas crianças, ao verem a cara assustada e afflictiva da mãe, desataram ambas uma risada.
—Não doe nada, não, minha mãe—asseverava elle.
N'esse mesmo dia, a Josepha vestiu-lhe camisa lavada e o melhor fato, e foi com elle a casa do padrinho.
—A Lena não vem?—perguntava o Simão com pena de a deixar só.
Pelo caminho, a idéa da separação aterrava-o.
—Eu não torno a ver a Lena, minha mãe?—insistia elle, virando para a Josepha os olhos supplicantes.