—Tu que dizes?

Simão, como se despertasse no meio d'um pezadello, voltava os olhos para D. Bernardo, e estremecia.

—Tu que queres, Simão?—insistia o fidalgo, apalpando-lhe a fronte esbrazeada.

O pequeno recuava para o fundo da cama, assustado, com os olhos espantados e a tremer.

—Não quero a senhora—balbuciava elle tranzido e a chorar.—Ella mata-me! Ai! eu quero a minha mãe! Ó meu padrinho, a senhora mata-me.

E segurava com força a mão de D. Bernardo, olhando para a porta com terror da presença da freira.

D. Bernardo, no dia em que o pequeno foi castigado, censurára a brutalidade da irmã.

—Não são modos de tratar as crianças, mana—tinha elle dito.

D. Leonarda replicou com azedume; e, quando D. Bernardo lhe pediu que se calasse, a freira retirou-se da sala com modo altivo, resmungando pelo corredor:

—Eu já o presumia! Bem me quiz parecer que para afilhado, era muito amor!