A lavadeira ria-se.
—Medo de quê, rapaz?
—Sume-te!—dizia o moleiro.—De noite, só as bruxas é que veem lavar aos rios... Adeusinho, tia Joaquina.
—Adeus, ó Jeronymo.
Era já noite, quando a Joaquina voltou para casa, carregada com o alguidar da roupa molhada á cabeça. Atravessou uma bouça; e, quando ia a transpor o portello, que dava para a estrada, estacou de repente. Tinha ouvido uns gemidos vagos ali perto. Debaixo da lagem do portello, por entre o tojo, alvejava alguma coisa que se movia. Cuidou ao principio que fosse um cão; e ia a dar-lhe com a ponteira da chinella, quando os gemidos se repetiram.
—Elle que dianho é?
Poisou resolutamente o alguidar no primeiro degráo do portello, abaixou-se para examinar de perto; e, ao levantar uma ponta da trouxa, viu uma criança recemnascida, nua, embrulhada n'um lençol velho. Tomou logo a creança nos braços, e, achegando-a ao calor do peito, exclamava commovida:
—Ó meu rico filho! Que grande cadella foi a tua mãe! Que grande desavergonhada!
Quando entrou em casa, o marido estava com os dois pequenos sentado ao calor da lareira. A Joaquina correu o ferrolho interior da porta, e, chegando-se junto do homem, apresentou-lhe nos braços o engeitado.
—Aqui tens este leitão.