Ás nove horas, a enfermeira acendeu as velas de cêra de dois tocheiros, que ladeavam a imagem do Senhor crucificado, ao fundo da sala. Em seguida aproximou-se do leito do Simão. Estava deitado de costas, com os olhos fixos já meio embaciados... Respirava com oppressão; e a bocca entre-aberta formava-lhe um traço escuro na pallidez cadaverica do rosto.
—Quer alguma coisa?—disse-lhe a enfermeira ao ouvido.
—A minha mãe?—perguntou baixo o moribundo.
—Ainda não veiu.
Houve uma grande pausa.
—Quando ella vier—pediu o Simão com uma voz debil—se eu tiver morrido, dê-lhe a cruz que tenho ao pescoço; sim?
Parou um instante para respirar, e accrescentou:
—É para a Lena.
A enfermeira tentou animal-o, dizendo-lhe que elle havia de melhorar.
Simão fez um leve sorriso de descrença, e respondeu: