—Morra! repetiram as outras.
E a multidão cresceu sobre a loja.
Foi precisa a intervenção da auctoridade, reclamada pelos visinhos do ferragista.
O administrador appareceu seguido do escrivão e de alguns policias, e ordenou ao povo que se dispersasse.
—Não sahimos, sem que o malvado seja preso—berrou um operario face a face ao administrador.
O agente da auctoridade entrou na loja. Passado pouco tempo a policia foi reforçada pela cavallaria, que conseguiu dispersar o ajuntamento. E, logo em seguida, o ferragista, pallido, a tremer, olhando assustado para os dois lados da rua, atravessou-a a correr, entre policias, para dar entrada na cadeia!
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No outro dia de manhã, o medico do hospital mandou collocar o biombo em volta da cama do Simão.
—Está a manifestar-se a congestão—explicou elle baixo á enfermeira.
Os outros doentes da enfermaria, quando viram o medico falar confidencialmente, olharam uns para os outros, desconfiados, com um ar abatido e triste. Ao longo de toda a sala havia um grande silencio, percursor do silencio frio da morte. Os serventes do hospital atravessavam por entre as filas das camas em bicos de pés.