E uma pobre mulher da aldeia correu para elle afflicta com os braços abertos. Era a Josepha, que, n'esse dia, tinha vindo a Braga. Andava a mercar na feira umas camisolas, que ia levar ao filho. Ao ouvir os clamores do mulherio, adiantou-se para ver. Pobre mulher!
Tomou ella o Simão nos braços; e, perdida pela afflicção, caminhava á toa, sem destino, lamentando que lhe tinham matado o filho do seu coração.
—Leve-o ao hospital—disseram as mulheres que a acompanhavam.
Atravessaram as ruas, seguidas da multidão, que ia engrossando de cada vez vez mais, ate ao largo dos Remedios. Chegadas ao hospital de S. Marcos, a Josepha entrou só, subindo as escadas a chorar. O facultativo fez deitar o pequeno, observou-lhe as contusões do corpo, e disse:
—O homem que fez isto deve ser preso!
O pequeno só cobrou os sentidos, quando lhe applicaram as compressas de arnica sobre os vergões. Principiou a gemer, e a chamar pela mãe.
—Eu estou aqui, Simão—dizia a Josepha debruçando-se sobre elle.—Não chores, meu filho.
—Eu morro, minha mãe—dizia o pequeno, segurando-lhe as mãos, e levantando para ella os olhos supplicantes e cheios de lagrimas.
O povo, que acompanhou o Simão ao hospital, desandou em grande turba para casa do ferragista. Ali, ajuntou-se a um magote, que estava já estacionado á porta. O patrão tinha desapparecido da loja. Ao canto do balcão, o caixeiro, muito assustado pelo aspecto ameaçador da gente, não se mexia.
—Morra o patife!—gritou uma mulher.