—E eu tambem.

Quando os poetas absolutistas subiam ao estrado, a facção liberal arrastava os pés ruidosamente.

O obéso conservador Cabaças, alcunha que resultára do seu feitio espheroidal, rompia logo coxia acima, á frente dos verdeaes, para surprehender em flagrante delicto os pateantes. Mas a pateada cessava, para começar depois.

Ouviam-se vozes de—Fóra! fóra!

E o grupo de Manuel Rodado, pondo-se de pé, olhava acintosamente para José Maximo e Jayme de Carvalho, como se quizesse indicar ao conservador que elles eram os cabeças de motim.

Mas os dois mantinham-se imperturbavelmente serenos, facto que aliás era notado pelo corpo cathedratico, que occupava as tribunas de honra. Uma vez aconteceu que o proprio reitor, vendo que o Cabaças observava os dois amigos, lhe fizera signal de que o tumulto partia de outro ponto da sala.

Os poetas liberaes eram festejados pelos seus correligionarios com enthusiasticas manifestações de applauso. José Maximo e Jayme de Carvalho abstinham-se, mas abriram excepção para Castilho, a quem deram palmas, e que fôra obrigado a repetir muitas vezes o Sonho de Fénelon.

Cresceu com esta ovação a colera dos absolutistas, a breve trecho atiçada pela noticia, que logo circulára na sala, de que tinham sido despedaçados os emblemas que ornamentavam o páteo da Universidade.

O reitor entendeu que era mais prudente encerrar o outeiro, e a onda dos estudantes galgou desordenada para o páteo, onde se travaram pequenos conflictos, a que a ronda universitaria, Cabaças á frente, logo acudia, varrendo adeante de si a multidão.