O governo mandára uma alçada a Coimbra para syndicar dos acontecimentos de fevereiro, que, segundo a phrase de um chronista consciencioso[1], os odios e malevolencia do partido absolutista adrede exageravam para se vingar dos seus adversarios.

Sabia-se, apesar do segredo da alçada, que José Maximo da Fonseca e Jayme Henrique de Carvalho tinham sido compromettidos pelo depoimento de Manuel Rodado e outras testemunhas absolutistas.

Foram horriveis de anciedade os dias que para aquelles dois estudantes decorreram, desde que chegou a alçada e morosamente funccionou para que não ficasse por averiguar o menor delicto, até que em 30 de abril se mallogrou em Lisboa o novo movimento promovido pelo infante e pela rainha, recolhendo-se D. João VI a bordo da nau ingleza Windsor Castle e sendo D. Miguel obrigado a retirar-se para o extrangeiro.

O mallogro da abrilada pela intervenção da diplomacia causára dolorosa impressão a todos os absolutistas, incluindo os de Coimbra, que tinham julgado aberto o caminho da reacção sanguinaria pelo assassinato do marquez de Loulé em Salvaterra.

Lastimavam a ausencia do infante, e receiavam que se robustecesse a politica moderada e conciliadora, adoptada nos processos governativos depois da restauração de Villa Franca, e que fôra a causa determinante do segundo movimento tentado por D. Miguel.

Tinham razão para receiar, porque assim veio a acontecer.

A amnistia de 5 de junho de 1824 suspendeu as perseguições politicas; deteve o gladio da vingança.

Ficaram por este motivo sem effeito os processos instaurados nas devassas a que a alçada, que em fevereiro tinha ido a Coimbra, procedeu rigorosamente.

José Maximo e Jayme de Carvalho poderam respirar desafogados. Mas esse mesmo facto, que significava um tenue triumpho obtido pelos liberaes sobre os absolutistas de Coimbra, fez augmentar o prestigio politico de José Maximo, deu-lhe maior importancia partidaria.