Muitos academicos liberaes foram a casa de José Maximo felicital-o; entre outros, estivera ali Antonio Maria das Neves Carneiro, natural do Fundão, seu patricio e amigo de infancia.

N’esse improvisado parlamento constitucional discutiram-se durante longas horas os acontecimentos da vespera. Reconheceu-se a necessidade de uma forte concentração de elementos partidarios como nucleo de resistencia contra as insidias e perfidias da facção contraria. Foram indicados os nomes de José Maximo e Jayme de Carvalho como sendo os dos academicos que inspiravam maior confiança para a organisação e direcção dos trabalhos do partido. E d’esta acclamação unanime resultou achar-se José Maximo envolvido nos negocios politicos da academia, que vinte e quatro horas antes estava resolvido a evitar completamente.

Um dos ultimos estudantes que sahiram foi Antonio Maria das Neves Carneiro.

José Maximo, muito pallido, chamou-o de parte, e disse-lhe:

—Ó Antonio, tu viste por lá minha mãe?

E rebentaram-lhe as lagrimas, embaciando-lhe a vista.

—Vi, sim, respondeu Neves Carneiro. Vive muito atormentada por tua causa. E encarregou-me, a occultas de teu pae, de te dar um abraço, quando estivessemos sós.

José Maximo abriu os braços, e apertou Neves Carneiro contra o coração.

N’esse momento, chorava copiosamente. Parecia-lhe que tinha sentido palpitar, na dôr e na desolação, o coração de sua mãe.