—Pelo grupo do Narciso doirado, que apedrejou a casa de José Maximo. As pedras não passaram das vidraças, que ficaram partidas, mas eu senti zunir uma bala por cima da cabeça.

—Patifes! disse um estudante.

—Vamos nós fazer o mesmo ás janellas do Narciso? propoz outro, mais exaltado.

—Não sejam tolos! respondeu Jayme. Eu vou mas é deitar-me. Boa noite, rapazes.

No dia seguinte corria em alguns circulos absolutistas a seguinte versão:

Manuel Rodado e outros estudantes, que recolhiam do outeiro, tendo encontrado ao Arco do Bispo um grupo que lhes pareceu suspeito, perseguiram-n’o para reconhecel-o. Dois individuos d’esse grupo entraram em casa de José Maximo, e como ahi mesmo fossem vigiados, sahiram á rua armados de bacamarte e cacete. Esses dois individuos tinham sido reconhecidos: eram José Maximo e Jayme de Carvalho. O primeiro não poude fazer uzo do bacamarte, porque o seguraram. O segundo descarregou muitas cacetadas contra os seus perseguidores, um dos quaes, Manuel Rodado, ficára ferido na cabeça.

Esta versão tinha por fim insinuar que José Maximo e Jayme de Carvalho não eram extranhos á emboscada do Arco do Bispo.

A versão liberal contava os factos como elles realmente se tinham passado e preconisava o denôdo dos dois amigos, que fizeram frente a um grupo numeroso, abrindo a cabeça a muitos absolutistas.

Este acontecimento vinha coroar a reputação de valente, que José Maximo tinha ganho á Porta Férrea. Pelo que respeitava a Jayme de Carvalho, a sua reputação estava feita, e fôra elle proprio que engrandecera a gloria do seu amigo divulgando os serviços prestados á causa da liberdade no Porto e era Lisboa. José Maximo havia-lhe contado, no decorrer do tempo, todos os episodios da sua aventurosa existencia.

De todos esses episodios o que mais exaltara a imaginação da rapaziada havia sido a metamorphose em criado de servir sob o disfarce de Fresca Ribeira.