Já não era o mesmo homem prudente, que tinha aconselhado José Maximo a abster-se das luctas politicas. Renascêra n’elle o fogoso revolucionario; a liberdade embriagava-o como um vinho capitoso. A perseguição que lhe faziam os seus visinhos absolutistas de Cezár irritava-o, enfurecia-o.

Na casa do Outeiro havia uma pessoa que, no fundo do coração, amaldiçoava a liberdade resuscitada: era Anninhas, que tremia pela sorte de José Maximo ao aferil-a pelos acintes com que os visinhos de Cezár inquietavam o frade.

Mas não ouzava expôr os seus receios na presença do irmão e das irmãs, a quem o espectro de Joaquim Maria, a victima da liberdade, a todo o momento clamava: «Vingança! vingança!»

O deputado Alvares Pereira, que era tambem coronel do exercito, dizia vendo dia a dia o infatigavel ardor com que José Maximo trabalhava na organisação do batalhão academico:

—Que pena que este rapaz não seja militar! É uma vocação perdida!

Manuel Rodado, bem como outros estudantes absolutistas, fugiu de Coimbra.

Quando se notou a sua falta, disse José Maximo:

—O Narciso fez mal em fugir: eu nem dava por elle!

O batalhão dos voluntarios academicos marchou para Vizeu, a reunir-se, na Beira, ao exercito de operações.

Os reaccionarios foram batidos, e tiveram de refugiar-se em Hespanha, onde achavam protecção. Voltaram de novo, avançando pelo Minho, ameaçando o Porto. Foram batidos segunda vez pelos constitucionaes portuguezes, porque a divisão ingleza, que o governo reclamára, chegou até Coimbra, parou ahi, e d’ahi tornou para Lisboa sem tomar parte na lucta.