Jayme escreveu para Coimbra uma longa carta a José Maximo contando-lhe miudamente os trabalhos que passára para arrancar Ernestina do convento, a intervenção magnanima de Saldanha, e o triste destino de Margarida Candida que, segundo Ernestina lhe revelára, fôra illudida para professar.

Acabava por congratular-se pela outorga da Carta, e estimulava-o a mais do que nunca exercer a sua influencia sobre a academia para combater á mão armada, se tanto fosse preciso, a opposição que, segundo se dizia, os reaccionarios preparavam.

Saldanha conseguira impor-se á regente de modo a fazer jurar a Carta e a ser chamado ao poder como ministro da guerra.

Os absolutistas preparavam, effectivamente, um golpe de mão. O norte e o sul do paiz, agitado por elles, acclamavam D. Miguel rei de Portugal. Em Traz-os Montes o marquez de Chaves soprava á fogueira da reacção. O Algarve, imitando o Alemtejo, fazia um pronunciamento militar, que Saldanha, já ministro da guerra, fôra suffocar pessoalmente.

A academia de Coimbra não assistia indifferente ás luctas politicas do momento.

José Maximo, o chefe constitucional da academia, entendera-se com o deputado Alvares Pereira, que tinha ido áquella cidade expressamente para mover os estudantes a armarem-se pela defesa da Carta.

Não é facil imaginar a actividade, o zelo, o enthusiasmo, que José Maximo desenvolveu na organisação do batalhão de voluntarios academicos, cujo commando fôra confiado ao major de milicias de Tondella, Feio de Figueiredo.

José Maximo escreveu a frei Simão de Vasconcellos narrando-lhe tudo o que se estava passando em Coimbra, e o frade, muito exaltado pelo novo advento do constitucionalismo, respondia-lhe de Cezár:

«Se o batalhão academico carecer de um capellão, aqui estou eu, não precisam procurar outro. Tanto me faz ir combater inimigos ao longe como arcar com os de ao pé da porta, que não levam comigo a melhor.»