XVII
O crime do Cartaxinho
Ao mesmo tempo, porém, que altamente nos pronunciamos contra os individuos que praticaram tão grande crime, temos obrigação de declarar em testemunho á verdade que na sociedade dos «divodignos» não se decidiu nem se tratou da morte dos membros das deputações.
Joaquim Martins de Carvalho—«Apontamentos para a historia contemporanea.»
Os primeiros actos de D. Miguel como regente, conjugados com o enthusiasmo popular que o saudava como rei, deram rebate nos arraiaes do constitucionalismo, causaram uma anciosa desconfiança nos espiritos mais exaltados.
Entre as sociedades secretas de Coimbra avultava a dos Divodignos, que funccionava na rua do Loureiro, junto ao Arco de D. Jacinta, e que na sua maior parte era constituida por estudantes.
José Maximo, disputado por todos esses clubs revolucionarios, a todos pertencia, e não poucas vezes teve de arriscar a sua influencia pessoal para conter os animos fogosos dos confrades e evitar inuteis desatinos de paixão politica.
A chegada de D. Miguel, os seus primeiros actos como chefe do estado e as manifestações calorosas com que a opinião publica o recebêra, atiçaram a indignação das sociedades secretas de Coimbra, onde todas as noites eram proferidos discursos violentos e gizados planos audaciosos.