Os lentes absolutistas, a cujos ouvidos chegavam os eccos ameaçadores dos clubs maçonicos, tratavam, por sua parte, de cortar os vôos aos estudantes demagogos, como elles os classificavam.
Assim pois, sob pretexto de dar as boas-vindas a D. Miguel, resolveram, de accôrdo com o cabido, enviar deputações a Lisboa.
Mas logo correu entre os estudantes que a fim occulto da jornada dos cathedraticos era apresentar a D. Miguel uma relação dos academicos liberaes, que deviam ser riscados e perseguidos.
Reuniram-se immediatamente todas as sociedades secretas para tratar do assumpto.
José Maximo entendeu dever assistir, de preferencia, á sessão dos Divodignos, por ser o club mais ardente e numeroso, portanto aquelle que offerecia maior perigo de desvairamento.
Accrescia tambem uma circumstancia especial para inquietar o espirito de José Maximo com relação á assemblea dos Divodignos.
Antonio Maria das Neves Carneiro, seu patricio e amigo, então alumno do segundo anno de mathematica, era não só um dos academicos liberaes mais exaltados, mas tambem inimigo pessoal de um dos lentes da deputação.
Ora se taes motivos o faziam temido e perigoso, na materia que se ventilava, ninguem melhor do que José Maximo podia dispôr de auctoridade bastante a reprimil-o e contel-o.
Portanto, de combinação com o sextanista da faculdade de leis, Francisco Cesario Rodrigues Moacho, que era o presidente da sociedade dos Divodignos, José Maximo, então no seu quinto anno, concorreu á sessão de animo feito para abafar as tempestades de colera, que certamente esbravejariam na bôca de Antonio Maria.
Como se esperava, foi este estudante que apresentou e arrebatadamente sustentou uma proposta incendiaria, cuja summula se cifrava em que uma delegação dos Divodignos fosse arrancar das mãos dos lentes, no caminho, não só as felicitações de que eram portadores, mas tambem, e principalmente, a lista das proscripções academicas.