Notára que os companheiros levavam armas de munição, com cartuxos embalados, e punhaes. O aspecto d’este arsenal ambulante confrangera-o.
—Tu não vens armado? perguntou-lhe Antonio Maria.
—Não pensei n’isso, respondeu José Maximo. Não venho para matar.
—Mas, segundo o teu famoso dilemma, podes vir para morrer. Péga sempre um punhal para te defenderes, se fôr preciso.
Isto disse Antonio Maria tirando do cinto um dos dois punhaes e dando-o a José Maximo, que o recebeu com indifferença.
Aos primeiros alvores da manhã, os estudantes sahiram da quinta para antecipar-se á passagem dos lentes.
José Maximo lembrou-se de que esse dia era uma terça feira, e esta ideia mais contribuiu para inquietar o seu espirito propenso a superstições.
Chegando ao Cartaxinho, uma legua ao sul de Condeixa, os estudantes fizeram alto. Tapadas as caras com lenços, esperaram emboscados.
Das sete para as oito horas da manhã, avistaram quatro caléças, ladeadas por cavalleiros, e acompanhadas por gente de pé.
Na primeira caléça ia o deão Antonio de Brito e Castro com um criado, e outro á estribeira; na segunda, o conego Pedro Falcão Cotta e Menezes com um sobrinho, e outro a cavallo; na terceira o doutor Matheus de Sousa Coutinho, lente de canones, com o doutor Jeronymo Joaquim de Figueiredo, lente de medicina, acompanhando-os a cavallo José Candido, sobrinho do doutor Matheus; na quarta ia o doutor Antonio José das Neves e Mello, lente de philosophia, com um filho, já bacharel. Seguia-se a cavallo o official da imprensa da universidade, Francisco de Assis e Mattos. Fechava a comitiva a récova das bestas de carga, que os arrieiros e criados acompanhavam a passo.