Como era dia de mercado em Condeixa, passava gente, boieiros e lavradores, que logo acudiu. O povo corria, vozeando, na direcção do logar do conflicto.
Os estudantes, vendo-se ameaçados de perto, trataram de fugir, mas como casualmente transitasse pela estrada real o general da Beira Alta, Agostinho Luiz da Fonseca, acompanhado pelo filho e escoltado por alguns soldados de cavallaria, foram perseguidos pelos soldados e povo.
Nove dos academicos cahiram, não sem alguma resistencia, em poder dos seus perseguidores. Nenhum d’elles era José Maximo. O povo e a cavallaria, com o general á frente, bateram em todas as direcções os arredores do Cartaxinho, procurando os outros quatro estudantes, que não poderam ser encontrados.
Os presos foram recolhidos á cadeia de Condeixa, e vigiados por uma enorme multidão, que a todo o momento ameaçava linchal-os. O mercado da villa e as granjas mais proximas tinham-se despovoado completamente, logo que soou a noticia d’essa horrorosa tragedia.
O general Fonseca, reconhecendo que não era possivel encontrar os quatro fugitivos, mandou para junto da cadeia alguns soldados da sua escolta, a fim de conterem o povo, e enviou uma ordenança a Coimbra, a pedir o immediato auxilio de uma força de caçadores, que aliás não se fez esperar.
José Maximo da Fonseca fugiu só, como tinha sahido de Coimbra.
Foi correndo n’uma carreira cega, desesperada. Por muito tempo ainda ouviu o clamor do povo, que perseguia os fugitivos.
Depois, como a distancia augmentasse, rodeiava-o apenas o grande silencio de montanhas, que elle não conhecia. Corria sem destino, evitando sempre as povoações, e obliquando instinctivamente para éste como a procurar salvação na fronteira de Hespanha.
Exhausto, arquejante, faminto, com os pés golpeados escorrendo sangue, anoiteceu-lhe n’um pinheiral cerrado. O cansaço vencera-o.
Atirou-se para o chão. Pouco lhe importaria n’aquelle momento que o encontrassem e prendessem.