Ao romper da manhã José Maximo passou, de ferramenta ao hombro, por deante da casa em que nascêra.

A mãe, immovel d’encontro ao peitoril, viu o filho, e cahiu desamparada no chão.

José Maximo ouviu o baque do corpo, e quiz abrir a porta da sua casa, entrar.

Mas, sentindo n’esse instante a voz sobresaltada do pae, deitou a fugir.

N’uma posada da fronteira, amarrou uma faixa sobre os olhos, deitou polvora no fundo de um prato, incendiou-a, e inclinou o rosto sobre a chamma.

Queimou as faces para desfigurar-se.

—Do homem que eu fui e que não posso tornar a ser, disse elle comsigo mesmo, nada mais restará do que a consciencia da propria desgraça. Se minha pobre mãe e Anninhas forem obrigadas a vêr a minha cabeça pendurada da forca, não me reconhecerão ao menos, duvidarão de que seja eu...

E, pegando d’um canivete, retalhou com fundos golpes, estoicamente, as faces crestadas.

Depois internou se na Extremadura hespanhola.