—Não, senhor. Disse que tinham sido os estudantes.
—Cala-te, e vae ouvir o que se diz por ahi.
Frei Simão ficou muito inquieto. O Marques sahiu, e voltou ao cabo de uma hora.
—Está tudo cheio do tal feito dos estudantes. Fallei com o Bréca (era um criado de Ignacio da Fonseca) que me contou que o amo, ao saber a noticia, tinha dito que o sobrinho ainda havia de passar grandes trabalhos por causa da politica. Longe vá o agouro!
—Mas fallou-te no sr. José Maximo?
—Não, senhor. Só me disse isto, e eu voltei-lhe as costas.
—Ó Marques, tem paciencia, vae a Coimbra saber o que se passa, disse frei Simão muito apprehensivo.
O Marques obedeceu como um cão; dir-se-hia que d’ali a Coimbra era um pequeno passeio, tanto á pressa o Marques se preparou para sahir.
As noticias que elle trouxe, vinte e oito horas depois, eram más. No dia 19 tinham chegado a Coimbra, presos, nove estudantes por terem assassinado dois lentes no Cartaxinho. Segundo ouviu, o povo, quando elles chegaram no meio da escolta, enchia a Ponte, e seguiu-os pela Couraça de Lisboa acima em tamanha quantidade, que não caberia um alfinete. Nenhum dos presos era o sr. José Maximo, mas elle não estava em Coimbra, diziam que tinha fugido.
—Mas está criminoso tambem?