O Marques respondeu com desalento:
—Dizem que sim, senhor.
—Que desgraça! que desgraça! exclamou frei Simão.
—Eu fallei até com a servente. Disse-me que o sr. José Maximo tinha sahido de casa no dia 17 á noite, e que ainda não tinha voltado, porque, segundo os estudantes contavam, andava a monte.
—Meu Deus! Olha, Marques, eu vou a Coimbra. Toma sentido. Aqui, na minha ausencia, não entra ninguem. É preciso que as senhoras não fallem com viv’alma.
—Vá Vossa Reverencia descansado, respondeu o Marques abafando de tristeza.
—Descansado! repetiu frei Simão.
O Marques não tivera coragem para dizer o mais, para contar tudo. Elle tinha ouvido em Coimbra que José Maximo e outro estudante, tambem do Fundão, foram os primeiros a assaltar as caléças em que os lentes iam.
Preferia ter morrido pelo caminho, arrebentado de tristesa, mas Deus não lhe fizera a vontade. Vêr assim desgraçada a sua querida menina, quando, d’ali a mezes, devia ter o seu noivo formado! Eram pragas, deviam por força ser pragas de Ignacio da Fonseca.
E cuspia trez vezes no chão.