D’ali a dias, o corregedor Mourão Guedes recebia na Villa da Feira ordem para colhêr ás mãos o frade de Cezár, vivo ou morto. Era quasi uma censura á inefficacia da sua perseguição.
Estava-se em maio de 1829, no auge das represalias sangrentas. Um forte destacamento de policia do Porto foi mandado expressamente á Villa da Feira para proceder á captura de frei Simão de accordo com uma companhia de milicianos.
O frade, sempre destemido, estava em casa no momento em que a policia e os milicianos a rodeáram.
Vendo-os, saltou por uma janella para fugir. Uma cadellinha, muito sua predilecta, saltou após o dono. O frade, que vestia uma jaqueta de cotim azul e branco e levava uma arma na mão, deitou a correr. Os soldados fizeram sobre elle varios tiros, mas nenhum o tinha ainda alcançado. Na Serenada, uma das balas matou a cadella. Então frei Simão, indignado, voltou-se para traz, apontou a espingarda, e desfechou. Redobraram os tiros dos perseguidores, mas o frade, fugindo sempre, chegou a Villarinho. Ahi um dos tiros alcançou-o pelas costas. Frei Simão tentou proseguir na carreira, mas as forças faltaram-lhe. Estava ferido. Encostou-se a uma arvore para não cahir: o sangue repuxava a jorros da ferida, escorrendo pela jaqueta.
Foi-lhe dada voz de prisão.
O commandante do destacamento, que era um official de milicianos, mandou procurar um carro para conduzir o preso á Villa da Feira.
N’este momento appareceram, correndo em grande afflição, D. Maria Albina e o criado Francisco Marques.
Foi o Marques quem alvitrou ao commandante que, transportado em braços o ferido até á casa do Outeiro, poderia um carro da casa ir leval-o á Villa da Feira.
Assim se resolveu. Pelo caminho, frei Simão ia perdendo muito sangue. Quando o ferido chegou ao Outeiro, onde as outras irmãs o receberam chorando angustiosamente, e emquanto se apparelhava o carro, frei Simão pediu um confessor. Julgava-se em artigos de morte.
—Deixemo-nos de historias! respondeu desabridamente o commandante.