E abriu a porta. Dados alguns passos, encontrou dois milicianos, dos que constituiam o cordão do cêrco, e que se abrigavam, escondidos, detraz de um pequeno muro.
—Quem se mexer, morre! gritou frei Simão, mettendo a arma á cara.
Os dois milicianos ficaram tomados de assombro deante do frade, cujo valor conheciam. Frei Simão passou por entre elles, empurrando-os com violencia; e, saltando rapidamente o muro, desappareceu.
Quando os milicianos se recobraram do assombro d’aquella resistencia heroica, já se não via o frade. Ouviram-se ainda alguns tiros, disparados pelos soldados, mas foram perdidos.
O major Pinheiro ficou desesperado com a fuga de frei Simão, que o batalhão perseguiu, mas não encontrou.
Tratou, ao menos, de cumprir a segunda parte do programma.
Todos os objectos de valor, incluindo as alfaias da capella, e o proprio calix de que frei Simão se servia quando dizia missa, foram carregados n’um carro, e conduzidos para S. João da Madeira.
N’um armario encontraram os soldados alguns pergaminhos de familia e titulos antigos, a que o major não reconheceu interesse politico. Por isso, limitou-se a mandal-os queimar n’uma grande fogueira, que se accendeu no pateo da casa.
Os absolutistas de Cezár enraiveceram-se com o desastre d’esta segunda expedição. Ignacio da Fonseca foi ao Porto pedir ás justiças que promovessem uma terceira diligencia, que, por mais apertada, pozesse termo ás zombarias de frei Simão.