Chamou, portanto, ao seu gabinete o major do regimento de milicias da Villa, João Francisco Pinheiro, e encarregou-o de ir a Cezár, com um batalhão do seu regimento, capturar o frade.

—Se frei Simão não apparecer, disse Mourão Guedes ao major, é preciso cobrir a infelicidade da sortida apprehendendo os papeis politicos e causando a maior somma de prejuisos, que fôr possivel.

O major entendeu, e marchou com o batalhão para Cezár.

A unica prevenção de frei Simão de Vasconcellos limitava-se a pernoitar na habitação do caseiro, proxima ao solar.

O batalhão, que tinha sahido da Villa da Feira durante a noite, cercou ao romper da manhã a casa do Outeiro.

Frei Simão viu a tropa, pegou na escopeta, e preparou-se para sahir.

—Que faz Vossa Reverencia? perguntou-lhe, muito afflicto, o caseiro.

—Pensas então que me hei de deixar apanhar como um coelho na tóca? replicou o frade aperrando a arma.

—Mas podem matal-o, senhor!

—Tudo leva as mesmas voltas. Elles, depois de terem dado busca a toda a casa, procurar-me-hão em todas as dependencias da quinta, e achar-me-hão aqui. Isto não falha. Ora da prisão á forca não dista mais d’um passo. Sei o tempo em que vivo, e a gente com que estou. Vou fugir, para salvar a vida. Se me matarem, tanto monta que seja hoje como ámanhã. Elles juraram-me pela pelle. Encommendo a minha alma a Deus, que espero perdoará os meus peccados.