Frei Simão disse a D. Maria Albina:

—Não me satisfez a confissão, que fiz ao padre José Pedro. Peço á mana que mande chamar o abbade ou o padre Antonio Pinheiro. E diga-lhes que tragam os sacramentos, que me quero preparar para morrer.

O abbade Moreira Maia tinha ido n’esse dia pela manhã para Oliveira de Azemeis. Foi o padre Antonio Pinheiro que levou o viatico a frei Simão.

Padre Antonio entrou muito pallido. Ordenou aos soldados que se affastassem, emquanto ouvia de confissão o ferido. Ajoelhou-se, muito trémulo, junto á cadeira de frei Simão, e inclinou o ouvido á bôca do frade.

A confissão não durou mais de vinte minutos.

Em seguida, padre Antonio ministrou a communhão ao ferido.

Frei Simão disse-lhe com voz sumida pelo cansaço:

—Muito obrigado, sr. padre Antonio.

Na physionomia de padre Antonio Pinheiro lia-se, n’esse momento, um mixto de consoladora surpresa e de compaixão dolorida, que lhe dulcificava a pallidez da commoção.

As irmãs do frade velaram toda a noite junto á cadeira do ferido, que já consideravam moribundo. Frei Simão arquejava, com os olhos fechados. O sangue manchava as compressas, logo que eram postas com mais dedicação do que sciencia pelas pobres senhoras.