Alta noite, o frade poude reconhecer a voz de Anninhas como sendo de uma das pessoas que velavam a seu lado.
Moveu, com difficuldade, o braço direito, unico que lhe restava illeso, e tocou com os dedos, muito ao de leve, a cabeça da irmã.
—Minha pobre Anninhas! disse elle anciadamente. Minha pobre Anninhas!
E cahiu por algum tempo em maior e mais atormentada prostração.
Padre Antonio Pinheiro, entrando na abbadia de Cezár, ia tão pensativo, que Gertrudes Magna não ouzou perguntar-lhe logo se o frade do Outeiro já tinha morrido.
O padre recolheu-se ao seu quarto, e fechou-se por dentro.
A tia foi algumas vezes espreital-o pela fechadura da porta: ouvia-o rezar, se era que não estava fallando só.
Á hora da ceia, Gertrudes Magna atreveu-se a chamar o sobrinho.
—Não queres hoje cear, Antonio? perguntou ella.