O padre abriu a porta, procurou ageitar um sorriso, que nasceu triste, e respondeu:
—Não, minha tia; quero apenas um copo d’agua.
A velha deu alguns passos no corredor, mas voltou atraz e perguntou:
—O que me dizes tu de frei Simão? Corre por ahi que já morreu...
—Não tinha morrido quando eu de lá vim, mas está para isso.
—Acaba o seu tormento. Deus o vae julgar.
—A justiça de Deus, replicou o padre, é menos cega que a dos homens. Não fallemos de frei Simão, não falle d’elle, minha tia, sobretudo para fazer côro com a demencia das paixões politicas.
Padre Antonio estava visivelmente impressionado pela confissão do frade. Mas não nos é dado saber ao certo os motivos da sua commoção: só elle os conhecia, e não os podia revelar.
Logo pela manhã chegou a Cezár o doutor Corrêa Ribeiro, que a muito custo poude suspender a hemorrhagia.
Declarou elle por escripto que frei Simão não se encontraria em estado de ser transferido para a Villa da Feira antes de trez dias, pelo menos. A sua vida corria imminente perigo.