O frade não conhecia o namorado da irmã, que só apparecia em Cezár no tempo das ferias, mas acertou de se encontrar com elle na occasião em que o general Gomes Freire e os seus companheiros de infortunio já estavam entre ferros como réos de alta traição.
Gostou do rapaz, que era elegante, alto, moreno, cheia a physionomia de vivacidade peninsular: os olhos, muito pretos e luminosos, denunciavam-lhe o ardor da imaginação insoffrida.
O estudante e o frade começaram por conversar de superficialidades cerimoniosas, vindo frei Simão a saber que José Maximo da Fonseca cursava ainda preparatorios no Collegio das Artes, porque o pae levára tempo a consentir em que trocasse a agricultura pela vida litteraria.
Mas o estudante, com a confiança que lhe inspirava o facto de frei Simão ser irmão da mulher amada, e liberal convicto, não tardou a abrir-se em confidencias com elle.
Contou-lhe que em Coimbra era caloiro do alumno de medicina José Maria de Lemos, parente proximo do bispo-conde, e unico estudante que admittiam ás suas conferencias os organisadores da loja maçonica Sapiencia, a qual no anno seguinte começou a funccionar perto do Collegio Novo.
Pela convivencia com o Lemos, a quem era cegamente dedicado, ganhára José Maximo decidido enthusiasmo pelos principios liberaes, que sentia não poder defender ainda a peito descoberto em razão de ser estudante de somenos categoria.
Contou-lhe mais que quem o recommendára ao academico Lemos fôra o major reformado José Maximo Pinto da Fonseca Rangel, seu padrinho e parente, que de uma quinta de Traz-os-Montes tivera de evadir-se para Hespanha, por estar implicado na mallograda revolta constitucional de Lisboa.
Todo o seu desejo era vingar algum dia os trabalhos que o padrinho estava soffrendo por amor da liberdade.