Ficou tambem surprehendida ao vêr o miseravel caldeireiro, pouco menos de hediondo. A sua surpreza subiu de ponto, quando a creança noticiou á mãe que aquelle homem sabia latim.
Mas, após um momento de reflexão, talvez de desconfiança, disse a hespanhola ao filho:
—Que tonto que tu és! Elle sabe lá latim!
José Maximo offendeu-se com estas palavras, e repetiu a breve narração que tinha feito momentos antes, quando estava só com o menino.
E, rapidamente, declinou os nomes latinos que lhe occorreram, sem emperrar n’um unico caso.
Mãe e filho começaram a interessar-se pelo mysterioso caldeireiro. A hespanhola disse-lhe que, se tinha fome, lhe daria de comer, a troco d’elle ensinar a lição ao filho.
José Maximo confessou a verdade: tinha realmente fome. E, agradecendo á Providencia este soccorro inesperado, sentou-se no páteo a ensinar o menino. A breve trecho assaltou-o a ideia de que por aquelle caminho chamaria sobre si justificadas suspeitas. Mas logo se acalmou dizendo de si para si:
—Se tal acontecer, foi Deus que me deparou esta creança para me punir.
O caldeireiro, a pedido do menino, voltou no dia seguinte para tornar a ensinar-lhe a lição. A hespanhola queria que o seu filho soubesse muito bem latim, porque o destinava para clerigo. O pae do menino quiz d’ahi a dias vêr o caldeireiro. Fallou-lhe, observou-o, e disse á mulher:
—Este homem teve educação. Aqui anda grande mysterio.