—Qual? perguntou o hespanhol.
—Que usted acceitará em troca, e como testemunho da minha gratidão, este napoleão de ouro, que me deu um dia frei Simão de Vasconcellos, e que eu sempre procurei conservar não obstante ter padecido fome.
O hespanhol ficou a olhar para o portuguez, muito commovido.
José Maximo pediu uma tesoura, descoseu o forro do casaco velho que vestia, tirou o napoleão que trazia escondido, beijou-o, com os olhos razos de lagrimas, e offereceu-o ao hespanhol, cuja mão beijou tambem. Depois acceitou a bolsa.
Passado um anno, em 1830, quando constou em Ciudad-Rodrigo que um dos estudantes portuguezes, Neves Carneiro, havia sido preso em Zarza, e entregue ao cordão dos soldados de D. Miguel que o esperavam na fronteira, disse o hespanhol á mulher:
—Isso mesmo aconteceria ao pobre Maximo, se não tivesse fugido. Coitado! O que será feito d’elle agora?