Julio Diniz—«Uma familia ingleza».

Frei Simão, exultante de alegria, esquecera-se de si mesmo para só se lembrar da irmã, e dissera a padre Antonio Pinheiro:

—Aqui tem a rasão por que eu queria vir a Cezár. Dizia-me o coração que a pobre Anninhas, se me tornasse a vêr, recuperaria a voz. E assim aconteceu! Deus louvado! Louvado seja o Senhor!

—Louvado seja! respondeu padre Antonio Pinheiro.

Anninhas estava ainda convulsa, não podia andar, mas fallava, fallava menos do que chorava, abraçando o irmão e as irmãs.

—Foi um milagre! exclamava D. Maria Albina.

—Deus, respondeu padre Antonio, não falta nunca aos que se lembram de recorrer á Sua misericordia infinita. Mas não queiramos mais do que podêmos receber. Esta senhora—indicando D. Anna—está fatigada da commoção extraordinaria por que passou; precisa descançar. E o sr. frei Simão, que deve julgar-se contente com a felicidade obtida, não deve demorar-se n’esta casa. É prudente voltarmos ao Passal, que não vá alvoroçar-se a freguezia com a noticia de que alta noite se ouviu gritar alguem na casa do Outeiro,—o que significa algum acontecimento importante.

Frei Simão concordou e, abraçando as irmãs, despediu-se.

—Até quando, mano? perguntou D. Antonia.

—Eu sei lá?! respondeu frei Simão. Sou uma ave errante sem ninho certo.