D. Anna passava longas horas silenciosa, muitas d’ellas encostada a uma das janellas da casa, com o olhar triste perdido nos pinheiraes sombrios.

Contára Francisco Marques a Frei Simão, com as lagrimas nos olhos, que «a sua rica menina» tinha dito um dia:

—Não sei se Deus me favoreceu mais quando me tirou a voz se quando m’a restituiu...

E frei Simão, muito pensativo, respondêra:

—Entendo...

Os visinhos de Cezár, segundo tambem Francisco Marques contava, pareciam satisfeitos com as desgraças que tinham chamado sobre a casa do Outeiro, especialmente com a ausencia de frei Simão. Só uma coisa mostravam desejar ainda: era haver ás mãos o frade para mandal-o pendurar na forca. E como o suppunham refugiado em Arouca, para lá mandavam instantes solicitações reclamando a prisão do fugitivo.

Assim foram decorrendo os mezes até que principiaram a correr incertas noticias de que D. Pedro, finalmente resolvido a reivindicar os direitos da Rainha, ia arregimentar os emigrados para invadir Portugal.

Estas informações, a principio dubias, foram-se accentuando, correndo com insistencia.

Constou depois que o imperador estava na Terceira, onde assumira a regencia, e preparava uma expedição com dinheiro que podéra levantar nas praças extrangeiras.

O boato fôra confirmado. A expedição liberal viria, mas não se sabia ao certo se desembarcaria na Madeira ou no continente.