Na primeira hora de descanço após a refréga, José Maximo chegou-se ao voluntario, e disse-lhe abruptamente em francez:

—Não esperava vir encontrar aqui outro portuguez a defender, como eu, a independencia da Belgica!

O voluntario mediu de alto a baixo, com surpresa e desconfiança, José Maximo, cuja physionomia lhe devia ter produsido repulsão.

—Engana-se! Eu não sou portuguez, respondeu, no mesmo idioma, o voluntario.

—Prouvera a Deus que me enganasse, replicou José Maximo, porque então não teriamos occasião de reconhecer-nos um ao outro como victimas de uma grande fatalidade...

—Senhor! exclamou o voluntario, avançando para José Maximo.

—Francisco Cesario Rodrigues Moacho! bem vês que te conheço. Não receies atraiçoar-te, porque estamos n’um paiz que ama a liberdade até o ponto de querer conquistar a sua independencia com as armas na mão. E, quanto a mim, fica sabendo que nada tens a temer, tambem. Somos dois emigrados, pelo mesmo motivo...

Rodrigues Moacho ficou surprehendido com as palavras d’esse extranho homem, que não conhecia.

José Maximo percebeu o que se passava no espirito do antigo presidente da sociedade dos Divodignos.