José Maximo, em Pariz, evitava os emigrados portuguezes, alguns dos quaes reconhecêra.
Á volta da Belgica, como antes, vivia só, no seu humilde mistér de caldeireiro, não se aproximando de ninguem.
Era, como elle tinha dito a Rodrigues Moacho, a fôlha sêca varrida pelo vendaval.
Em agosto, D. Pedro, sempre a braços com as incertesas e fluctuações da sua complicada situação, voltou a Pariz.
Luiz Filippe fez honra aos seus hospedes e offereceu-lhes o castello de Meudon, pondo á disposição da familia de D. Pedro cavallos e carruagens, e ás suas ordens uma guarda de capitão.
A nove kilometros de Pariz, perto da margem esquerda do Senna, Meudon, com o seu outeiro, o seu castello e o seu bosque, é um sitio delicioso, que os parisienses adoram, especialmente os namorados e os poetas.
D. Maria II parecia uma fadasinha, branca e loira, destinada a povoar harmoniosamente aquelle bosque encantado, onde os castanheiros e os carvalhos deixavam cahir a doce sombra dos dias calmosos do estio.
Tinha então apenas onze annos, mas era um formoso esboceto de mulher: carnação feita de leite e rosas, olhos castanhos e vivos, cabeça altiva, bôca a que o beiço grosso dos Braganças não prejudicava a graça nem a firmesa.
Apezar de creança, havia na sua plastica a redondez de formas que desabrocham correctas, e no seu porte um cunho de reflexiva e consciente nobresa, que ia bem a uma princesa desthronada em plena infancia.