José Maximo, sempre solitario, galgava de proposito a estrada de Meudon para vêr a jovem rainha de Portugal. Algumas vezes encontrou no caminho, á ida ou á volta, o cura Dupanloup, um padre de cerca de trinta annos, novo mas virtuoso e illustrado, que D. Pedro havia escolhido para director espiritual de sua filha[6]. E José Maximo ia pensando comsigo mesmo:
—Que este padre consiga firmar no coração da pequenina rainha as raizes da fé christã, porque ella, que parece ter nascido para soffrer, precisa encontrar no naufragio da sua mallograda realesa alguma tabua de salvação,—a melhor.
José Maximo sabia já as horas a que a rainha de Portugal costumava passeiar de carruagem em Meudon, quasi sempre acompanhada pela sua preceptora D. Leonor da Camara.
Um dia, em pleno outomno, a receita do caldeireiro ambulante excedeu o orçamento ordinario: ganhou mais alguns sous do que o costume. Correu a comprar um ramo de margaritas, atou-o com uma pequena fita azul, e caminhou para Meudon.
Era a hora em que a rainha passeiava no bosque, cujas folhas o outomno começava a varejar.
José Maximo aproximou-se da caléça, estendeu o braço direito, offereceu o ramo.
A jovem princesa teve um momento de hesitação, mas D. Leonor da Camara disse-lhe que acceitasse o bouquet.
A carruagem continuou rodando, e José Maximo seguiu-a com os olhos, pensando, não já na rainha, mas em D. Anna de Vasconcellos, que a rainha tanto lhe fazia lembrar na côr das faces e na dignidade graciosa do porte.
Em fevereiro de 1832, D. Pedro partiu de Belle-Isle com a expedição para os Açores.