O que é certo, porém, é que frei Simão, com a sua gente, appareceu em Cezár no dia 8 de setembro pela manhã.

Toda a guerrilha, incluindo o commandante, vestia jaqueta de policia, como então se dizia, com boné listado de azul e branco.

Pelo que respeitava á sua pessoa, parecia a frei Simão que o uniforme militar era mais decente do que o habito arregaçado, a calça justa, as botas de montar, a banda e a espada á cinta, o bacamarte a tiracol com que ordinariamente os frades miguelistas se exhibiam no commando das suas respectivas guerrilhas.

Frei Simão apenas trazia, como distinctivo do estado ecclesiastico, a cruz peitoral entalada entre a camisa e a jaqueta.

A devassa, no seu proposito de aggravar as responsabilidades de frei Simão, diz que elle entrára em Cezár dando tiros, matando, incendiando. Não foi assim.

Logo que chegou, o frade deu voz de descanço á guerrilha, e foi, elle só, bater á porta do Passal.

Alguns timidos camponezes, que se metteram em casa cheios de medo quando avistaram o frade do Outeiro á frente de um bando de homens armados, julgaram que era chegado o seu ultimo momento.

Mas, depois que elle passou, espreitaram-n’o com olhos de lynce, não sem alegre surpresa por a guerrilha não ter incommodado ninguem.

Viram-n’o dirigir-se ao Passal, e conjecturaram que o abbade e o coadjuctor seriam, por sua categoria, as primeiras victimas da vingança de frei Simão.

O povo, tendo sempre ouvido dizer a Ignacio da Fonseca e outros absolutistas que o frade era maçon, julgava-o inimigo irreconciliavel do throno e do altar.