XXVIII
Epilogo
Estes são os espelhos, em que nos devemos todos vêr, e n’elles ver-se a luz, e guia que deante vai.
Luiz de Souza de Lima—«Avisos do céu».
Em agosto de 1833 Margarida Candida teve occasião de recuperar a liberdade, e recuperou-a.
Frei Simão não poude chegar a abrir-lhe as portas do mosteiro, mas a sua familia, na primeira hora de triumpho, logrou não só cumprir a promessa do frade, mas até vingar por um acto publico a morte d’elle.
Segundo a informação publicada pela Chronica no seu numero correspondente ao dia 31 d’aquelle mez e anno, o capitão-mór de Arouca, sabendo que se tratava de acclamar ali a senhora D. Maria II, mandou prender o capitão d’ordenanças, por suspeito de proteger a conspiração, e com o fim de o enviar á commissão mixta de Vizeu.
«Este acto de violencia, diz a Chronica, despertou o brio dos conjurados, e por diligencias de Antonio Pinto Pereira de Vasconcellos, que com zelo incançavel fez deliberar o resto dos amigos apalavrados, no mesmo dia se dirigiram á cadea, soltaram o preso, e concluiram depois o acto solemne da acclamação da senhora D. Maria II.»
Antonio Pinto Pereira de Vasconcellos era, como se sabe, o irmão mais novo de frei Simão. Mas um documento de familia diz-nos que o pae, apesar de velho e doente, tambem se associou á conspiração planeada pelo filho mais novo.
«O capitão-mór fugiu—prosegue a Chronica—com os abbades de Santa Eulalia e S. Salvador, bem como as freiras do convento, excepto quatro. D’estas tem voltado algumas, sabendo que reina a boa ordem, e que não se commettem as violencias com que o partido da usurpação intimida os povos, fazendo-lhes crer que as vinganças e a desordem é ao que aspiram os constitucionaes.»
Margarida Candida foi das freiras que fugiram, e não voltaram.