Na casa do Outeiro foi recebido como um vencedor. Frei Simão deu-lhe uma boa duzia de abraços muito expansivos.
Anna de Vasconcellos felicitou-o com ternos olhares, mais gloriosos para José Maximo do que uma corôa de louros. E o estrondo dos morteiros, augmentando, reavivou o desespero de Ignacio da Fonseca e o sobresalto do padre Antonio Pinheiro.
Largamente contou José Maximo os trabalhos por que tinha passado no Porto, a sua ida a Lisboa com o desembargador Fernandes Thomaz, factos de que em carta cifrada havia mandado summaria noticia a frei Simão.
Estava encantado de ouvil-o, o frade. Sentia-se orgulhoso de ter inventado aquelle revolucionario, por cuja intervenção collaborára tambem no movimento do Porto. Era como que uma vaidade de editor, que acabasse de dar ao prelo uma preciosa obra até ahi inédita e, portanto, desconhecida.
—E, agora, o que tenciona vossa mercê fazer? perguntou frei Simão a José Maximo.
—Eu sei lá! Estou ao serviço da junta provisional, e farei o que me mandarem.
—Volta então para o Porto?
—Tenciono voltar esta noite, porque apenas pedi licença por vinte e quatro horas.
—Que pressa! Tem vossa mercê deante de si um bello futuro. Mas pena é que não adopte uma carreira definida: a das armas ou a das lettras. São as unicas que no nosso paiz dão presentemente accesso ás maiores honras. Por que não pensa vossa mercê em continuar os seus estudos?