—Farei o que os meus amigos quizerem que eu faça.
Lembrou-se José Maximo de entregar a carta de Frederico Pinto a frei Simão.
O frade leu-a com interesse, e chamou em alta voz as irmãs para repetir a leitura.
Frederico Pinto convidava Anninhas—como na familia lhe chamavam—a ir passar algum tempo no Porto, em companhia da cunhada.
«Individualiso a Anninhas, dizia o ex-ajudante de infanteria 18, por ser a mais nova das manas, e por isso a que menos falta poderá fazer no Outeiro. Seria muito agradavel a minha mulher ter aqui uma menina da sua condição e do nosso sangue com quem repartisse as alegrias e os cuidados de mãe feliz e dedicadissima. O nosso Frederico promette ser um rapagão sádio e forte. Mas a Margarida queixa-se de que eu não tenho geito nenhum para ajudal-a a enfaixar e adormecer creanças.»
Mal podia imaginar José Maximo que essa carta, de que fôra portador, havia de lhe dar tão agradavel surpresa. Ficou doido de alegria. Anna de Vasconcellos tambem não poude dissimular todo o contentamento que a alvoroçou.
Consultada por frei Simão, respondeu de prompto que acceitava o convite. As outras irmãs sorriram, e frei Simão imitou-as involuntariamente. José Maximo, vendo sorrir as trez senhoras e o frade, tambem deixou entrevêr um sorriso, de que chegou a envergonhar-se. Só Anninhas, cahindo de repente em si, ficou n’um pudibundo enleio, que a tornou mais graciosa.
Durante o dia, José Maximo, aproveitando um momento de estar a sós com frei Simão, disse-lhe improvisamente:
—Tenho que fazer um pedido a vossa reverencia.