Pois, muito respeitosamente, vou informar v. ex.ª do que continuou a passar-se em Chaves, depois que no Porto rebentou a revolução de 20.
André Pinto, soffreado pelo conselho de Antonio da Silveira, já despeitado com os constitucionaes, não se atreveu a fazer novos destempêros contra a sobrinha nem contra o capitão de dragões. Amaciou, mas apenas apparentemente. O seu despeito não era menor por concentrado.
Desde o momento em que Antonio da Silveira deixou de presidir á junta do governo por incompatibilidade com os seus collegas de Lisboa, que se desfizeram d’elle, toda a familia dos Silveiras ficou unificada no odio ás novas instituições politicas.
Trataram logo de conspirar, atiçados de Queluz pela rainha D. Carlota Joaquina, que regressára do Brazil com a côrte, e que só podia contar com as provincias, visto que Lisboa acabara por adherir ao movimento do Porto.
Em Chaves, o conciliabulo dos conspiradores reunia-se em casa do juiz de fóra, Antonio Bernardo de Figueiredo, e ahi concoriam todas as noites varios militares, alguns abbades, e outras pessoas em correspondencia com os Silveiras.
André Pinto era certo.
Tratando-se de procurar attrair ao conciliabulo outros militares, de quem ainda se duvidava ou de quem se receiava mais, alguem fallou no capitão Joaquim Maria de Vasconcellos.
André Pinto abanou a cabeça, em signal negativo.
Mas não obstante esta manifestação, que se tornou suspeita, porque toda a gente já sabia em Chaves que o capitão namorava a sobrinha de André Pinto, resolveu o conciliabulo que o coronel reformado Manoel Caetano Teixeira Pinto ficasse encarregado de vêr até que ponto se poderia contar com a adhesão d’aquelle official.