O coronel desempenhou a sua missão o mais habilmente que poude, mas Joaquim Maria repelliu com energia todas as propostas que lhe foram feitas.
Vendo-se rechaçado, o coronel procurou ferir a corda sensivel do amor no coração do capitão de dragões.
Lembrou-lhe, sem rebuço, que, amando elle uma sobrinha de André Pinto, e sendo André Pinto um dos mais conspicuos membros do conciliabulo, decerto proviriam grandes desgostos de uma tão intransigente obstinação. E que pensasse serenamente, porque esses desgostos iriam reflectir-se, principalmente, n’uma pessoa que ou havia de submetter-se ou desgraçar-se. Referia-se a Margarida Candida, presumptiva herdeira de André Pinto.
Respondeu Joaquim Maria que a sua honra o impedia de adherir á projectada contra-revolução, porque todo o homem que não respeita as suas proprias convicções, se deshonra a si mesmo. Que, visto que a sua inclinação pela sobrinha de André Pinto era conhecida em publico, só lhe restava, ainda que para o fazer tivesse de despedaçar o coração, mandar dizer a essa senhora que a desligava do destino de um homem por quem, se continuasse a amal-o, teria que soffrer grandes amarguras.
O coronel transmittiu ao conciliabulo a resposta de Joaquim Maria.
André Pinto sorriu ironicamente e commentou:
—Então não dizia eu que aquillo é um pedreiro-livre dos quatro costados?!
Ninguem se atreveu a responder-lhe.
Joaquim Maria cumpriu o que dissera. Escreveu a Margarida Candida uma longa carta, regada por abundantes lagrimas, que pareciam envergonhar a farda de um dragão de Chaves. Dizia-lhe um eterno adeus, e pedia-lhe que se conformasse com a vontade do tio, para evitar desgostos e soffrimentos, dos quaes o menor seria a pobresa a que elle certamente a condemnaria.
André Pinto, recolhendo do conciliabulo, correu a dar parte á sobrinha da resposta do capitão.