Em Chaves, o corregedor da comarca, doutor Joaquim Bernardino Rodrigues Coimbra, ordenou ao juiz de fóra substituto, porque o effectivo tinha emigrado tambem, que instaurasse devassa contra os fugitivos pelo crime de rebellião armada.
As portas da cadeia foram abertas a Joaquim Maria de Vasconcellos, e a outros presos politicos.
Um momento de felicidade sorriu aos dois namorados, que, sem obstaculos, podiam ver-se, e fallar-se, e mutuar-se ternissimos protestos de eterno amor.
Mas a devassa contra André Pinto e os seus co-réus fôra instaurada em Chaves no dia 28 de abril e um mez depois o infante D. Miguel fazia a Villa-francada, o poder absoluto era restabelecido em Portugal com o applauso da nação.
Os emigrados repatriáram-se, victoriosos, e Joaquim Maria foi de novo prêso. Amarrado de pés e mãos, açoutaram-n’o no carcere, na presença de André Pinto, que estimulava os flagelladores, gritando-lhes:
—Dai cabo d’esse diabo, que só se perdem as que cahirem no chão. Força, rapazes!
Foi facil a André Pinto obter de D. João VI um aviso régio pelo qual o monarcha fazia saber ao respectivo prelado que—«era servido conceder licença para poder ser admittida ao noviciado e profissão da vida religiosa no real mosteiro de Arouca, da vossa obediencia, Dona Margarida Candida Pinto, sobrinha e pupilla de André Pinto, natural da Villa de Chaves, visto n’ella concorrerem as qualidades necessarias: pagará a prestação annual e vitalicia de sessenta mil réis, e não dará dote, propinas, nem outra alguma cousa a qualquer titulo que seja, nem ainda mesmo a titulo de esmola.»
Era uma ordem categorica, que saltava por cima de certas formalidades estabelecidas para taes casos. O rei mandava admittir Margarida Candida não só ao noviciado, mas tambem á profissão. Tudo isto se conseguiu com uma simples pennada.
André Pinto, para coroar a obra, imaginou fazer passar a sobrinha, quando a enviou a Arouca, pela prisão onde Joaquim Maria jazia entre ferros.