—Nunca! respondeu com altivez Joaquim Maria. Reconheço a patente de v. ex.ª, mas reconheço tambem que v. ex.ª está em rebellião aberta contra o governo legalmente constituido. Recuso pois obedecer lhe, visto que v. ex.ª é o primeiro a dar o exemplo de desobediencia e indisciplina.
O conde de Amarante não era homem para responder de prompto a um tal rasgo de audaz eloquencia. Ficou assaralhopado, mas André Pinto mandou-lhe soprar ao ouvido que mettesse na cadeia o capitão de dragões.
E assim se fez.
Manuel da Silveira, sem se importar com a destituição de todos os titulos, honras e mercês, decretada em Lisboa, continuava a intitular-se conde de Amarante, e a prégar a «guerra santa.»
O general Luiz do Rego era encarregado pelo governo de organisar uma divisão contra os Silveiras. Isso dava mais algum cuidado ao conde de Amarante do que a exauctoração e o sequestro com que de Lisboa o fulminaram.
Mas a sorte mostrou-se propicia ao conde na batalha de Santa Barbara, junto a Chaves, ferida no dia 13 de março, e os absolutistas ganharam alma nova com esse triumpho obtido sobre as tropas liberaes.
Rego, desesperado pelo revés que soffrêra, tratou de concentrar forças em Amarante, para impedir que os rebeldes podessem passar ao Porto.
Feriu se nova batalha, d’esta vez na ponte de Amarante.
A sorte mudara. Os silveiristas, desalojados por uma valente carga de baioneta, metteram-se ao Marão, emigraram para Puebla de Senábria.
André Pinto seguiu o destino dos seus correligionarios: fugiu tambem para Hespanha.