E André Pinto, desenvolvendo uma actividade extraordinaria, como quem tem sêde de vingança, mostrava-se encanzinado em adeantar os trabalhos preparatorios da contra-revolução.

O seu desejo seria mandar desde logo a sobrinha para o convento de Arouca, mas temia-se da influencia da familia do Outeiro junto do governo e das côrtes de Lisboa. Receiava que ou não admittissem Margarida Candida no convento ou que a fizessem sahir de lá pouco depois de ter entrado.

Os dois namorados esperavam todos os dias a realisação das ameaças de André Pinto. O capitão de dragões sabia que os conspiradores tratavam de apressar o movimento em toda a provincia de Traz-os-Montes, e prevenira o general da provincia; fizera mais, escrevêra cartas anonymas aos ministros, avisando-os.

No dia 1 de fevereiro de 1823 o governo chamara a attenção do congresso para a necessidade urgente de tomar medidas repressivas. Por sua parte, os Silveiras, vendo que o governo estava prevenido do que se passava em Traz-os-Montes, trataram de pôr quanto antes a revolução na rua.

De feito, no dia 23, por occasião de sahir em Villa Real a procissão de Passos, Manuel da Silveira, segundo conde de Amarante, soltou o primeiro grito da restauração.

A villa esteve em festa todo o dia e toda a noite.

Os revoltosos partiram d’ali para Chaves, onde foram recebidos triumphalmente com repiques de sinos, foguetes e vivas.

O conde de Amarante, saudado pelo povo flaviense, fôra hospedar-se em casa de Diogo Pereira de Lacerda, amigo de André Pinto.

Duas horas depois de ter chegado a Chaves, Manuel da Silveira mandava chamar a casa de Diogo Pereira o capitão Joaquim Maria.

—Capitão, disse-lhe o conde de Amarante, entregue-me a sua espada.