Altivo levantando a voz sem pejo:
Antropóphago crú, lavado em sangue,
Monstro sem lei, que as leis todas despreza,
E arrastra sem vergonha
O código da sabia Natureza
Marqueza d’Alorna—«Obras poeticas».
Margarida Candida entrou no mosteiro de Arouca com a firmeza dos martyres, que não tremem deante do sacrificio.
Depois que em Chaves trocou com Joaquim Maria aquelle saudoso olhar afogado em copiosas lagrimas, nunca mais tornou a chorar. A sua angustia concentrára-se n’um silencio doloroso, estrangulado. Liam-se-lhe no semblante os signaes de um grande soffrimento, mas os olhos conservavam-se enxutos e o olhar sereno contrastava com as frequentes contracções nervosas do rosto excessivamente pallido.
Toda a communidade de Arouca, com excepção d’uma unica pessoa, era absolutista.
Margarida Candida foi, portanto, recebida com uma irritante seccura, quasi hostilidade.