Pois fazia-se isso, quando não se simulava o cumprimento d’aquellas formalidades substituindo a noviça por outra qualquer pessoa do seu sexo.
D’esta vez, a unica prescripção respeitada foi a de que entre o primeiro dia de convento e a profissão devia medeiar «um anno perfeito e acabado.»
Preenchido um anno completo, Margarida Candida foi chamada ao templo, e ahi recebeu aviso para immediatamente professar.
Reagiu energicamente, rompeu em lastimosos clamores, protestando contra a violencia de que era victima, pois que nem tinha requerido, nem a sua vontade havia sido explorada pelo interrogatorio de um commissario.
—Olha a doutora! exclamou uma freira. Como seria que a outra teve artes de lhe ensinar tudo isto!
Mas como a resistencia de Margarida Candida não afrouxasse, outra freira, simulando-se muito compadecida de sua desgraça, disse-lhe ao ouvido:
—Se a menina amava sinceramente aquelle homem, não terá decerto duvida em professar, porque elle morreu.
—Morreu! repetiu Margarida Candida num grito estridente, que reboou no templo.
E cahiu sem accôrdo contra o peito d’essa e outras freiras, que acudiram a amparal-a.
Ao cabo de poucos minutos, Margarida tornou a si, n’um abatimento de corpo e de espirito, que fazia d’ella um authomato.