Mas o flaviense escreveu ao fidalgo de Paiva, o qual lhe respondeu por escripto, dizendo:
«Muitas vezes ouvi a meu pae, o sr. Bernardo José Pinto Montenegro, encarecer a genealogia do avô e pae de Joaquim Maria de Vasconcellos, nossos parentes. São legitima geração de Sebastião Lopes Godinho, da casa de Cezár, homem muito fidalgo e descendente de Gil Garcia, e de João Carvalho, fidalgo da casa d’el-rei D. João III, casado com D. Anna Mendes de Vasconcellos. A familia de Joaquim Maria está aparentada com a melhor nobreza da sua comarca e provincia, e eu honro-me de ser seu parente.
«A legitimação de José Bernardo fez-se segundo o disposto nas leis canonicas e civis. Nada ha que se lhe oppôr, a não ser qualquer má vontade acintosa.»
O flaviense mostrou esta carta em Chaves, e André Pinto, vendo-se contraditado, mudou de rumo, no empenho de combater o capitão de dragões por qualquer outro modo, mais efficaz e menos contestavel.
Enfurecido com o mallogro da sua propaganda de descredito contra a familia de Joaquim Maria, correu as casas de muitos dos seus amigos politicos, desabafando a berros desentoados.
Um d’elles, que gostava de recorrer a processos summarios quando liquidava contas com inimigos, disse-lhe peremptoriamente:
—Homem! não ha nada como cortar as questões pela raiz!
—Mas a difficuldade está em desaterrar a raiz...
—Ora adeus! A raiz d’esta questão é o amor de tua sobrinha ao capitão Joaquim Maria. É ou não é?