—Está na observancia dos deveres que lhe foram impostos, respondeu a porteira, com rispidez, fechando rapidamente o ralo da portaria.

Mas não o fez tão rapidamente, que não ouvisse ainda dizer ao desconhecido:

—Tempo virá em que justemos contas.

O desejo do frade seria ir procurar um machado, com que fendesse a golpes herculeos a grossa porta do mosteiro, para arrancar da clausura Margarida Candida.

Mas essa loucura, a realisar-se, daria apenas um resultado ephémero, que custaria certamente a liberdade de frei Simão, se lhe não custasse tambem a vida.

A ideia de que deixaria exposta a grandes perigos a sua familia de Cezár, especialmente suas irmãs, caso fosse preso, conteve-o.

A phrase do desconhecido, ouvida pela porteira, e transmittida á madre abbadeça, causára enorme alvoroto no mosteiro.

Aquelle homem, apesar do seu disfarce, era um padre, era decerto frei Simão, o frade apóstata, como os absolutistas lhe chamavam; era um inimigo perigoso por audaz.

A abbadeça ordenou logo que Margarida Candida fosse internada na casa-forte do mosteiro, defendida por grossas portas de castanho, chapeadas de ferro, e expediu aviso ás auctoridades da comarca para que sem demora mandassem vigiar e guardar o edificio, ameaçado de um assalto.

D’ali em deante uma força de milicias occupava militarmente o pateo do mosteiro, postando sentinellas em torno d’elle.