Quando á contra-revolução transmontana de 1823 succedeu a desgraça de Joaquim Maria, mais se exaltou ainda em negras visões e apprehensões sinistras a phantasia lugubre de José Maximo.
«Vai-se cerrando em torno de nós, escreveu elle a D. Anna de Vasconcellos, uma atmosphera caliginosa, que parece aviso da nossa perdição futura. A desgraça pelo amor entrou já na tua familia. Fui eu que a trouxe com a minha má sina? Não sei. Mas firmemente creio que não deixarei de exceder o cruel destino de teu irmão Joaquim, e que tu não terás que soffrer menos que Margarida Candida.»
No fim de maio d’aquelle anno o infante D. Miguel restabeleceu facilmente, com a jornada de Villa Franca, o poder absoluto, de que o rei D. João VI, bem aconselhado, conseguiu apossar-se.
Os deputados liberaes, os famosos implantadores do constitucionalismo de 1820, fugiram, emigraram.
José Maximo estava tão desanimado, que indifferentemente recebeu, no primeiro momento, a noticia da restauração.
—Tanto valem uns como os outros. Não merece a pena escolhêr entre liberaes e realistas, disse elle no segredo da sua alma.
Esperou durante alguns dias que o despedissem da secretaria municipal do Porto. Mas ninguem pensou n’isso. Os vencedores não o enxergavam na obscuridade do logar que desempenhava. José Maximo encarou principalmente a questão por este lado, e a sua tristesa augmentou. Todavia repugnou-lhe viver accommodaticiamente á sombra de um regimen de que era adversario intransigente, e foi elle proprio que abandonou o seu logar na secretaria da camara.
Conservava alguns recursos amealhados na estricta economia em que tinha vivido desde que, contrariado por todos os acontecimentos que o leitor conhece, fugia a distracções e passatempos.
Estava indeciso sobre o caminho que devia seguir, quando, por occasião da romaria do Senhor de Mattosinhos, D. Anna de Vasconcellos o avisara de que toda a familia de Frederico Pinto ia ali cumprir uma promessa que tinham feito durante a recente doença do pequeno Frederico, e que ella não podia deixar de os acompanhar.