—É certo que o capitão me desinquieta a sobrinha, e este negocio é particular, apenas diz respeito á minha familia. Mas, por outro lado, o capitão é nosso adversario politico, e procede acintosamente para me desgostar. Entendo, pois, que o negocio deve ser resolvido sob o ponto de vista das conveniencias partidarias...

—N’esse caso, vae consultar os Silveiras. Elles que te aconselhem, que teem obrigação de o fazer.

André Pinto foi a Villa Real consultar o conde de Amarante, mas com tanta infelicidade que, quando entrou na casa da Calçada, estava Manoel da Silveira n’um dos seus dias de obumbramento intellectual.

O conde ouviu-o, e não respondeu nada.

André Pinto sahiu dizendo com os seus botões:

—Está hoje tolo de todo! Fallei com uma pedra.

Lembrou-se de ir á quinta de Canellas consultar Antonio da Silveira, que era mais atilado do que o sobrinho.

Expoz lhe o negocio. O fidalgo respondeu com promptidão:

—O que me diz, sr. André Pinto, envolve uma questão politica, que é preciso ter em vista.

—Diz v. ex.ª muito bem. Assim mesmo é que é. Devemos proceder todos de accôrdo.