—Ora, attendendo ás rasões politicas, sou de parecer que o capitão Joaquim Maria não deve ser perseguido.
—Como?! perguntou, fulminado, André Pinto.
—O que a mulher não conseguir, ninguem o consegue! disse axiomaticamente o tio do conde de Amarante. Eu me explico. Talvez o amor consiga trazer insensivelmente o capitão ao nosso gremio. O amor costuma fazer milagres.
—Nunca de bom christão bom mouro, nem de bom mouro bom christão! replicou, triumphantemente a seu vêr, André Pinto.
Antonio da Silveira, que enxergou n’esta phrase uma grosseira allusão ao seu breve transito pelo constitucionalismo, replicou de sobrecenho carregado:
—Todos os homens podem reconsiderar, quando não sejam tolos ou maus. Adeus, sr. André Pinto.
O tio de Margarida Candida sahiu recuando, ás mesuras, sem ter percebido bem o motivo do subito agastamento do fidalgo de Canellas.
O que é certo é que esta replica mal-humorada assegurou a vida de Joaquim Maria.
André Pinto, em caminho de Chaves, matutou na rasão que teria Antonio da Silveira para esperar um possivel reviramento politico do capitão de dragões e, sem ousar oppôr-se formalmente á opinião do ex-presidente da junta do Porto sobre a reconsideração dos homens, não deixou de achar um pouco duro que se comprassem silveiristas á custa do dinheiro que era seu, e que a sobrinha devia herdar.
Comtudo, tendo sahido de casa acceso em colera contra Margarida Candida e o capitão, voltou, depois do que se passára com Antonio da Silveira na quinta de Canellas, menos bravo, se bem que visivelmente concentrado.